BONIFÁCIO LICURGO

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"For sounds in winter nights, and often in winter days, I heard the forlorn but melodious note of a hooting owl indefinitely far; such a sound as the frozen earth would yield if struck with a suitable plectrum, the very lingua vernacula of Walden Wood, and quite familiar to me at last, though I never saw the bird while it was making it. I seldom opened my door in a winter evening without hearing it; Hoo hoo hoo, hoorer, hoo, sounded sonorously, and the first three syllables accented somewhat like how der do; or sometimes hoo, hoo only. "
THOREAU, in Walden, "Winter Animals", ch. 15.

Esta é uma short story que narra as aventuras de um gato branco chamado Bonifácio. Sendo o herói o próprio narrador, Bonifácio leva-nos a conhecer um mundo subterrâneo, onde os sons nos transportam à visão de uma paisagem gótica e à imanência do ser num universo iluminado pela poeira dourada do final da tarde. Esta poética do pó, na leveza de uma entidade nocturna, "materializa-se", absurdamente, na efemeridade da virtualidade: POUDRE D'OR. Recuando até ao século XVIII, Bonifácio protagoniza o viajante em demanda de um lugar de felicidade. Bonifácio Licurgo é o Semeador de Pó.

São três os capítulos que compõem esta short story:

I-A Vassoura da Memória
II-Palimpsesto dos Sentidos *
III-(Re)escrita do Pó
Prólogo

nota do autor:
*expressão utilizada na dissertação de mestrado por ela: Isabel Monteverde

domingo, 9 de agosto de 2009

Epílogo

"É fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. É fácil, na solidão, viver do jeito que se quer. Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão."
Ralph Waldo Emmerson

Comecei a ler
Walden de Thoreau e revi toda a minha existência à luz de um novo sol, pois foi nos bosques que uma boa parte da minha vida se cumpriu. Por razões alheias ao meu conhecimento, o lugar idílico de toda a minha juventude transformou-se em escassos metros quadrados de tijoleira. Aí, envelheci feliz, tranquilo, mas o odor da natureza agreste nunca me abandonou. Recordo os lindos sardões que cacei, os grilos que me desafiavam do abismo da terra, os movimentos sentidos das toupeiras enquanto me passeava no meio do campo de girassóis. E quantas vezes, ao olhar da janela da minha nova casa, com escassos metros de terraço, não relembro o velho cavalo que era o meu companheiro de sornas na cabana junto à figueira? Relembro esses momentos quando vejo passar, pomposamente na rua, os cavalos treinados da GNR.

Nasci em berço d'oiro e morri nos braços dela. E ao abraçar-me no derradeiro adeus, ela chamou-me: "meu Bonifacinho!"...

A continuar...