domingo, 9 de agosto de 2009

Epílogo

"É fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. É fácil, na solidão, viver do jeito que se quer. Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão."
Ralph Waldo Emmerson

Comecei a ler
Walden de Thoreau e revi toda a minha existência à luz de um novo sol, pois foi nos bosques que uma boa parte da minha vida se cumpriu. Por razões alheias ao meu conhecimento, o lugar idílico de toda a minha juventude transformou-se em escassos metros quadrados de tijoleira. Aí, envelheci feliz, tranquilo, mas o odor da natureza agreste nunca me abandonou. Recordo os lindos sardões que cacei, os grilos que me desafiavam do abismo da terra, os movimentos sentidos das toupeiras enquanto me passeava no meio do campo de girassóis. E quantas vezes, ao olhar da janela da minha nova casa, com escassos metros de terraço, não relembro o velho cavalo que era o meu companheiro de sornas na cabana junto à figueira? Relembro esses momentos quando vejo passar, pomposamente na rua, os cavalos treinados da GNR.

Nasci em berço d'oiro e morri nos braços dela. E ao abraçar-me no derradeiro adeus, ela chamou-me: "meu Bonifacinho!"...

A continuar...